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Domingo, Junho 29, 2003 ( 8:59:00 PM ) Letícia Ele pode ser assim, doce Porque tem as mãos macias Apesar do coração rude Das palavras rudes, Dos gestos rudes, Ásperos Como aquela calçada em que ralei o joelho Da primeira vez que caí da bicicleta. # Terça-feira, Junho 03, 2003 ( 3:14:00 PM ) Letícia O coração É agora Um tomate seco Uma tâmara Desidratada A golpes precisos (O ar fugiu e a água dos pulmões levemente enegrecidos) - Que é feito agora das lentes azuis- céu- de-abril-às-quatro-da-tarde- -num-dia-de-sol que ela usava nos tempos de sangue abundante pulsando? Não. Agora é o tomate seco com manjericão rúcula azeitonas verdes. # Quarta-feira, Abril 02, 2003 ( 3:15:00 PM ) Letícia Pause Teu corpo emitia um som agudo Um oboé assim distante Uma flauta de um xamã Um violino De teu corpo vinha o som de uma sirene E eu ali, alerta Sem saber se fugia de Ou para ti E teu corpo se desfez em supercordas Estivesse eu mais longe e não teria percebido. Estivesse mais perto E teria te salvado. # Terça-feira, Fevereiro 18, 2003 ( 8:51:00 AM ) Kel ...cada canção tem o seu pouco de azul para fazer as nuvens voarem... (10/02/03) # Terça-feira, Dezembro 10, 2002 ( 11:58:00 AM ) Kel Coloquial nem mais uma linha depois do beijo que ele me beijou. 08/12/02 # Terça-feira, Outubro 15, 2002 ( 8:45:00 PM ) Kel o dia de hoje Grávida de amor, o caminho me rouba os pés - observo enquanto flutuo em outra esfera, também os meus olhos fora do chão. # Segunda-feira, Setembro 30, 2002 ( 2:16:00 PM ) Letícia Teus olhos são rãs estáticas quase... prestes a saltar Vejo-os em todo lugar, preparo punhados de sal. Teus olhos hirtos se escondem em terras de arroz e sisal. (Qualquer movimento é motivo de fuga, qualquer chuva é motivo pra ir) Persigo teus olhos anfíbios que fogem, verdes folhas ao vento, prestes a cair. (desde ontem) # Terça-feira, Setembro 24, 2002 ( 8:52:00 PM ) Letícia A uma pastora, no outono (ou Entre vírgulas e parênteses) As folhas, mortas, caem, Como mãos, Delicadas mãos E afagam o ventre da Terra (Onde se escondeu a semente, De onde veio a árvore, Que estendeu os braços para o céu, E de lá derrubou castanhas mãos, Delicadas folhas, mortas, Que a Terra afaga, com o ventre). # Terça-feira, Setembro 17, 2002 ( 7:11:00 PM ) Kel girassóis de plástico eles estão florindo contra um fundo azul de latex. eles são flores. e são plástico. as pétalas amarelas me causam o mal-estar do que é mas não devia ser. no entanto, florescem. são girassóis. é o plástico que brota em pétalas ou o girassol que nasce do impossível? (numa vitrine de setembro/02) # Sexta-feira, Agosto 09, 2002 ( 7:36:00 PM ) Kel as cartas que não enviei III traços de brisa do mar nos seus gestos suaves. Asa do vento, luz clara nos seus cabelos (um momento de paz). (de relance, em meio hostil. 08/08/02) Comentário da autora: nada como se apaixonar por um inimigo para ver revelado o absurdo de si mesmo: suas crenças renegadas e a revolta contra o coração traidor. # Quinta-feira, Agosto 08, 2002 ( 1:40:00 PM ) Letícia Areia Vintesseis segundias Tenho o tempo nas mãos? Espalhar Esticar Sufocar No tempo. (tá péssimo, mas eu ando tendo muitas idéias e poucas palavras) # Quarta-feira, Julho 31, 2002 ( 5:08:00 PM ) Kel História de Pescador I Nada menos que o mar E nem mais do que o sol refletem no ar que preenche meu anzol. (esse negócio de numerar séries de poemetos é compromisso demais pra mim ;) 31/07/02) # ( 4:57:00 PM ) Kel as cartas que não enviei II a canção marinha da chuva trouxe o desejo absurdo de me afogar na sua pele. (esse é com minúsculas de desejo contido. 31/07/02) # Quarta-feira, Julho 03, 2002 ( 1:42:00 PM ) Kel As Cartas que Não Enviei I Espero o vento nos fins de tarde porque ele traz o sopro macio dos seus lábios, O sol do entardecer irradia como o sangue que vivifica sua boca. É rubro e delicioso o vinho que bebo em suas palavras, Na harmonia dos seus traços há um vôo de pluma, no seu olhar suave descanso minha alma inteira. As nuvens leves do dia claro guardam esse meu segredo. Todas as estrelas me acompanhm adentro da sua lembrança. Você sorri, e por isso já sou feliz... Eu te amo! (cada nova paixão arranca o pior de mim. 30/06/02) # Terça-feira, Maio 28, 2002 ( 10:44:00 AM ) Letícia Meia noite e meia Ela sorriu e o tempo parou Eu parei O tempo congelou Eu só congelaria se ela chorasse. Ela tocou meu rosto com as mãos, Meus olhos E soprou em minha boca uma estrela que caiu O tempo correu E foi como uma dúzia de luas que nasce. Não sei se é real o chão que pisei Ocasos de gris Fortalezas de areia Ela partiu e o relógio chorou Em lágrimas de pó: Meia noite e meia. # Sexta-feira, Maio 10, 2002 ( 4:24:00 PM ) Kel umbigüidades ... e eu lambi a testa dele. (da última paixão. 10/05/02) # Terça-feira, Abril 23, 2002 ( 6:55:00 PM ) Letícia A gente não é descobrimento Mas aparecimento (viemos andando). E Eles decidiram que não éramos capazes E nos cortaram pernas, troncos folhas. E quando me fumam os pulmões E minhas cordas gritam: não! Nada acontece (Eles dizem) 20/04/02, uma noite insone. # Sexta-feira, Abril 19, 2002 ( 9:30:00 AM ) Kel Uma lua depois A noite estava clara... (M. de Assis) A esposa passeia a solidão com as mãos nos bolsos. Ao retirá-las, elas quedam-se trêmulas e sombrias. (À espera do teatro, na UNESP, sob a lua nova. 18/04/02) Obs.: quedar [Espanhol] = ficar # Quarta-feira, Abril 03, 2002 ( 8:50:00 PM ) Letícia Recebe o presente de Medéia, Criança, O que sempre quiseste. Sorri, agradece a Medéia, o presente Veste. Possuir tão belas vestes, (todos sorriem!) ... Não te faz feliz? (prévia. Aliás... que tal se as autoras e os leitores comentassem, mesmo que por e-mail)?) # Terça-feira, Março 19, 2002 ( 5:21:00 PM ) Letícia Limalha Quem beberá estes gritos Forjados de aço Quem beberá estes gritos Que escapam dos dedos? Estes elos que escapam, que escoam Este ferro, estas grades que voam Beberei eu. # Segunda-feira, Março 18, 2002 ( 5:04:00 PM ) Helena Vento Com fusão Há união de eu e mim. # Segunda-feira, Março 11, 2002 ( 6:46:00 PM ) Kel Wind in the Trees (lullaby) sopra suavemente o sussurro do cio que eu vou pro céu e nem volto. Making of: inspirado no verbete lullaby aleatoriamente apanhado no The Advanced Learner´s Dictionary of Current English (Oxford University Press): a soft, gentle song to lull a baby to sleep; any gentle sound (e. g. made by the wind in the trees or by running water). # Terça-feira, Fevereiro 12, 2002 ( 6:28:00 PM ) Letícia Amanhã Amanhã eu compro um barco Feito de ginga E zarpo. E se eu não me afogar em mar E se não me virar o barco Eu vou me afogar no arco: Em pinga. # Sábado, Fevereiro 09, 2002 ( 4:59:00 PM ) Letícia Veleidade Quantas páginas terei de rasgar Antes da resposta? A resposta! A resposta espera, nua A resposta é sua. Quantas páginas, quantas págias voam? Olhos de lago, olhos de água ecoam Vozes soam: Canto. Será a espera canto? Espero. A espera. Quero... Tanto. # Domingo, Fevereiro 03, 2002 ( 5:29:00 PM ) Helena Círculo O tempo deu uma volta em volta de mim Volta Pra mim (14/01/02 num momento de visão) # Sábado, Janeiro 26, 2002 ( 11:29:00 PM ) Letícia Tudo Ele saiu e a casa toda O quarto todo A cama toda O corpo todo O sorriso todo O mundo todo! ... Tinha o seu cheiro. (em Ribeirão Preto, 12/01/2002, vespera do 1º dia da segunda fase do vestiba Unicamp) # Sábado, Janeiro 19, 2002 ( 7:27:00 PM ) Letícia Sons do que amanhece Ouço os sons do que amanhece Em mim. Três vezes por dia nasce uma rosa no jardim. Um canário canareia Rouxinol rouxinoleia Seu canto azul no azul d'areia. Ouço sons do que amanhece E cresce: Manga-rosa que amadurece. (Hoje... hoje.) # ( 12:43:00 PM ) Letícia Tédio As pessoas têm cheiro de comida Da comida que as come No almoço, no jantar Têm cheiro de carne quentinha Saindo da chapa, queima os dedos Têm cheiro da água que as bebe De morango, de abacaxi. As pessoas têm cheiro da comida Que as come. Come-as E lambe os beiços. # Terça-feira, Janeiro 08, 2002 ( 7:45:00 AM ) Letícia Torre de Babel Tijolo a tijolo Construo um sonho tolo Que não alcançará o céu. # Domingo, Janeiro 06, 2002 ( 8:57:00 PM ) Kel Semeadura meus poemas são simplesmente sonhos semeados no papel. # Terça-feira, Janeiro 01, 2002 ( 6:03:00 PM ) Letícia Cor-de-rosa Quero, quero celebrar o amor Colorindo o mundo com giz-de-cor. # Sábado, Dezembro 29, 2001 ( 1:37:00 PM ) Kel Curvilínea andando nas poças de céu que a água faz. (Sábado, manhã de chuva. 29/12/01) # Sábado, Dezembro 22, 2001 ( 8:03:00 AM ) Letícia Toca o telefone, o coração dispara Mesmo sabendo que você não ligaria agora O tempo quase corre e quase pára. É a espera, a ausência, a demora A saudade que, de alguma forma, me ampara Meu coração suspira e morre a cada hora. (prévia) # Sábado, Dezembro 01, 2001 ( 11:20:00 AM ) Letícia Comida Chinesa Descobri num biscoito da sorte Que já tive juventude E beleza. # Domingo, Novembro 25, 2001 ( 9:07:00 PM ) Letícia Sopro Foi uma rainha feita de nuvens que de braços abertos envolveu todo o azul em brumas. E passou o cabelo se agitando ao vento. (pra esse eu queria dar um título... mas num tenho idéia. Sugestões?) Raquel responde: Como eu poderia batizar um pedaço de ti? Mas, se quiseres, chamarás esse poema de Liberdade.. Momento humorístico da MeL: Como não podes tu batizar um fragmento de mim, se minha mãe me pôde batizar inteira! : þ Falando sério agora: O nome é bom, e obrigada por ter me dito a imagem que o texto te passou... mas o meu temor era dar ao poema um título que matasse a metáfora... e que limitasse as diversas interpretações. A sua visão foi bem diferente da minha... entaum... já consegui um título, quer dizer, o Cacildo conseguiu pra mim... # Sábado, Novembro 24, 2001 ( 9:12:00 AM ) Letícia Devaneio Teu sorriso é o cálice em que bebo teu sorriso Quando por entre pele e cabelos deslizo. Quando montada em nuvens sobrevôo o vazio Teu sorriso me persegue e me arrebata (sorrio). (versão final?) # Domingo, Novembro 11, 2001 ( 9:53:00 PM ) Letícia Devaneio Teu sorriso é o cálice em que bebo teu sorriso Quando por entre pele e cabelos deslizo. (idéia inicial que me persegue há dias) # Quinta-feira, Novembro 08, 2001 ( 4:19:00 PM ) Kel ele estava no arco do andar, sobre a linha dos pés. Eu interrompi o ciclo: olhei no olhar Amor ele beijou a raíz dos meus cabelos eu sorri. (na biblioteca da UNESP - Assis. 07/11/2001) # Sábado, Outubro 20, 2001 ( 12:24:00 AM ) Letícia Lágrimas sobre Rodin (Desespero) Toda a paixão que eu derramar Toda a música que cá está Por dentro Não vai ser bastante. É preciso, é urgente É necessário MAIS. (prévia I) # Terça-feira, Outubro 16, 2001 ( 1:53:00 PM ) Kel O décimo-primeiro paraquedista Azul infinito Quis abraçar o mundo e só encontrei o vazio. maio/2001 (um dos quase-poemas que a lousa enooorme da UNESP me ensinou) # Sexta-feira, Outubro 12, 2001 ( 10:02:00 AM ) Letícia "Um dia, quando todos os livros forem queimados por inúteis, há de haver alguem que ensine essa verdade aos homens: Tudo é música ! No princípio era o dó, e o dó fez-se ré..." - Machado de Assis Dó Ré Mi Uma canção grandiosa é uma canção sobre tudo quanto é grandioso. # ( 6:58:00 AM ) Kel Tolerância Amor morre nasce Amorrenasce. (Maio/2001) - este tem uma versão "aritmética" chamada Uma soma positiva, toda organizada em forma de adição e dedicada à Mel. # Domingo, Outubro 07, 2001 ( 12:44:00 PM ) Kel C I R R O S !! Cirros! - tracitos-círculos - no céu. (nova versão do Brincadeira.., feita dos contornos que vi no céu neste ano) # Terça-feira, Outubro 02, 2001 ( 9:07:00 AM ) Kel Brincadeira do Dia Claro I Cirros! Cirros! tracitos círculos no céu. (Cirro-estrato é aquela nuvem magra e comprida que se espicha nos dias de tempo bom. Essa bobagenzinha me acompanha como uma pintura de paisagem que se ama) # Segunda-feira, Outubro 01, 2001 ( 6:53:00 PM ) Letícia E eis que tudo sorri! e estou feliz Eis que há sol e há chuva e há paz Há Lua a leste no horizonte E há olhos de lua que me olham Há beijos nas bocas, há abraços Há dança, há música, há passos No cavalo da alegria Engolimos espaços. (Ensaio nº 1) # Sábado, Setembro 29, 2001 ( 12:37:00 AM ) Letícia Ela está.Em todos os lugares Em todos os andares. Em todos os andores Por todo o requebrado De pandeiro ou pandemônio Em todo lado. Letícia, 25/09/01 # ( 12:35:00 AM ) Letícia Quando se encontra uma enorme insatisfação com consigo mesmo e com todo o resto, e quando as idéias bailam sem cessar pela cabeça e por tudo o mais, então é necessário que se crie! Que se crie, que se realize. Não há entaum outra alternativa, é preciso que se invente, até que tudo se acalme; então, depois de toda a explosão, a mente hiberna, às vezes por longo tempo, ou por tempo curto: à espera de outra grande instisfação, da necessidade de dizer o que não foi dito ainda. Necessidade de que se faça; daí, cria-se o universo. # |
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